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Entrevista do Prof. Glaucius Oliva ao Jornal "O Estado de São Paulo / Vida & (26 julho 2009)

 

(Entrevista conduzida por Renata Cafardo)

Na última semana, o Estado mostrou que São Paulo teve queda de 5,45% no número de inscritos
porque as universidades não aderiram ao novo Enem, elaborado para funcionar como vestibular. São Paulo, ao lado de Rondônia, foi na contramão do crescimento de inscrições no restante do País. A justificativa de Oliva é tentar acabar com o que considera um "crime" cometido contra jovens brasileiros, submetidos a dezenas de provas para entrar na faculdade.

"Você tem de convencer um aluno de primeiro ano de Física que ele não tem que decorar fórmula. Isso é uma deformação do vestibular. Ele tem que ter tanta informação que não consegue obter isso raciocinando, então faz musiquinha sobre a Lei de Newton", diz o cientista, de 49 anos, que hoje é diretor do Instituto de Física de São Carlos.

O candidato foi um dos responsáveis pelo programa de inclusão (Inclusp), que deu pontos a mais na Fuvest para alunos de escolas públicas. Comenta-se na USP que a participação na elaboração do projeto - um dos marcos da gestão Suely Vilela - fez com que ele se tornasse o preferido da reitora para a sucessão. As eleições serão em outubro.

Em entrevista ao Estado, Oliva - referência na pesquisa de proteínas para desenvolvimento de fármacos e o primeiro do País a enviar um experimento para o espaço - diz ainda que professores precisam aprender a se comunicar com a imprensa e que todos os programas de cursos da USP devem estar disponíveis na internet.

"Tem muito professor que fala que não quer colocar o programa na internet porque o professor da Unip vai copiá-lo e vai dar o mesmo curso lá. Mas isso é a melhor coisa que pode acontecer."

O senhor tem o apoio da reitora Suely Vilela na eleição?

"Como há vários membros que contribuíram para a gestão (como candidatos), ela deve ter uma certa isenção nesse processo. Mas acho que ela tem uma certa simpatia pelo que fiz. Eu estava na comissão do Inclusp. Meu raciocínio é assim: o que vamos entregar como produto, se pensarmos como uma empresa? O produto é o aluno formado. Quem é mais bem preparado para aproveitar o ensino de qualidade? É o camarada que veio de grande oferta numa escola privada e ficou em último ou aquele que veio de escola pública e ficou no topo da lista, mas não conseguiu entrar? A ideia do bônus nasceu disso. Na prática, você está trocando na lista esses indivíduos. É como na agricultura, não precisa da melhor semente, e sim da melhor fruta".

Mas o Inclusp demorou a dar resultados.

"Demorou, agora está aumentando. Tínhamos receio de ter uma pontuação excessiva, que fizesse com que o restante dos candidatos se sentisse desestimulado. Agora, precisa fazer uma avaliação disso tudo, da avaliação seriada, que não pegou e a Secretaria do Estado não gostou. Outra coisa que teremos de enfrentar são os exames unificados nacionais".

O senhor é a favor de que a USP participe do Enade (avaliação do MEC para o ensino superior)?

"O papel de uma universidade de excelência como a USP tem de ser de melhorar o sistema de educação superior como um todo. E uma das maneiras de fazer isso é participar de exames nacionais. Participar de um exame e ter níveis altos é mostrar que o restante pode melhorar".

E a participação no novo Enem?

"Acho que o Enem pode ser aproveitado, em alguns casos, como primeira fase. É uma oportunidade que nós perdemos no Estado, com três universidades públicas. Não dá para querermos agora fazer um único vestibular unificado paulista, quando o MEC já fez. Devíamos ter feito para dar o exemplo. A USP tem que liderar, não podemos ser conservadores e retrógrados. Em cursos de menor procura, talvez o Enem já seja suficiente para fazer a seleção. Para cursos mais competitivos, precisa de uma segunda etapa, que a USP faria. A multiplicação dos vestibulares é um crime que a gente faz com o jovem. Você tem de convencer um aluno de primeiro ano de Física que ele não tem que decorar fórmula. E isso é uma deformação do vestibular. Ele tem que ter tanta informação que não consegue obter isso raciocinando, então faz musiquinha sobre a Lei de Newton. E pensa que conhecer é isso".

Qual sua opinião sobre educação a distância? O curso da USP foi adiado porque a instituição não queria interferência do governo.

"Defendi a criação de um curso de educação a distância porque a USP não pode enfiar a cabeça na terra como um avestruz sobre um tema que é importantíssimo no mundo. A gente não sabe onde vai estar o ensino superior daqui 15 anos. Não podemos deixar de experimentar, aprender a fazer, ver qual o impacto sobre os alunos. Quando tivermos mais experiência, sou favorável a botar na internet, quem quiser pega. Sou, inclusive, favorável a fazer isso com cursos presenciais. Tem muito professor que fala que não quer colocar o programa na internet porque o professor da Unip vai copiá-lo e dará o curso lá. Mas isso é a melhor coisa que pode acontecer. Isso é o papel de uma universidade de excelência, fazer coisas boas e divulgar. Mas neste momento a USP está certíssima, a gente só assina o convênio (do curso a distância) se tiver condição de controlar qualidade".

O que acha do processo eleitoral na USP, defende eleição paritária?

"O processo precisa ser ampliado. Isso está na origem da crise da universidade neste momento.
Nossos melhores professores, técnicos administrativos, cientistas e alunos acabam se recolhendo à sua atividade cotidiana. Essas pessoas estão longe da instituição, não participam, não contribuem com sua opinião. Mas a eleição universal é feita normalmente sob parâmetros que não são necessariamente acadêmicos. Autoridade na universidade tem um componente diferente de popularidade. Ja vi eleições paritárias na qual a plataforma vencedora propunha a redução da nota mínima de aprovação ou da jornada. Isso dá popularidade, mas é o melhor para a universidade?"

O seu programa fala em ampliar a área de comunicação.

"É um dos nossos grandes desafios. A universidade faz um monte de coisas e a gente comunica
muito pouco. A USP tinha que estar presente na mídia todos os dias. Isso não apenas para prestar contas daquilo que a gente faz, mas para despertar nos jovens o interesse de seguir carreira acadêmica. Precisamos convencer nossos professores que faz parte da missão acadêmica dele comunicar-se com a sociedade".

E a relação com o governo do Estado, desgastada na gestão Suely?

"O governo do Estado é o principal instrumento de expressão da sociedade, que é nossa razão de ser. Nossa relação precisa ser boa. Quero a criação de um centro multidisciplinar de apoio a políticas de Estado, que seja o interlocutor principal para qualquer problema que o governo tenha. Incorporar conhecimento em políticas públicas é uma das melhores formas de atuação da universidade na sociedade".

Todo novo reitor fala em doações de ex-alunos, mas isso nunca acontece. O que fazer?

"É uma questão de determinação. Sabe o que a USP faz hoje quando o aluno recebe o seu diploma? No dia seguinte, cancela o e-mail dele. E nunca mais encontra esse aluno. É uma coisa barata manter o e-mail e, para sempre, mandar mensagens. O cara se sente orgulhoso. Podemos mandar divulgações, contar dos programas. Depois disso, pedir algum recurso. O ruim é na hora de necessidade mandar uma carta para o indivíduo que há 30 anos não escuta nada da universidade e dizer: "Pode me dar R$ 1 milhão?"

Como avaliou o episódio da polícia no câmpus na última greve?

"Não ter a polícia do câmpus da é uma responsabilidade de todos. Não pode dizer que a reitora não pode chamar a polícia. É a USP que não deve precisar chamar a polícia. Tenho certeza de que podemos, pelo diálogo antecipado, permanente, conseguir um acordo de respeito a direitos fundamentais".


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